Polo de São Leopoldo
Zilma Vitória
A inclusão é por si só um ganho, pois as relações estabelecidas constroem um vínculo de trocas entre o deficiente e o não deficiente que proporciona uma identidade firmada na confiança, respeito, compreensão, solidariedade e auto-estima. Esta relação foi estabelecida entre Peter seus colegas e professores, porém a inclusão de Peter não aconteceu da noite para o dia. No inicio tudo era bastante complicado.
Peter é um menino americano aparentemente de classe média que tem Síndrome de Dow, proveniente de uma família carinhosa e dedicada. Peter ingressa numa escola pública americana “ Allbert Lincon” onde é recebido na classe de 3º ano da Sra.Stalins. Peter revela-se arredio, bastante barulhento e agressivo. Diante dos colegas suas reações são provocativas, seu relacionamento com a professora não estabelece laços de afetividade e confiança, existe um certo entendimento entre algumas regras estabelecidas, como por exemplo contar até três para obter uma determinada ação de Peter. A professora sentia-se insegura com a presença de Peter, os colegas tinham medo das reações provocantes e agressivas do menino. As participações de Peter nas atividades individuais e em grupo eram quase que inexistentes. Para que a inclusão realmente aconteça é preciso aceitar as diferenças do outro e assim proporcionar-lhe uma real interação.
A Sra. Stalins precisava tomar uma atitude diante da rejeição de Peter, dos seus alunos e diante da sua própria rejeição. Após questionarem as atitudes de Peter e tomarem algumas posições a respeito das ações de Peter as mudanças começaram a acontecer. As atitudes de rejeição provocam barreiras que dificultam a inclusão. A professora passou a apostar no potencial de Peter, proporcionando-lhe um envolvimento com o grupo, assim ele começou a perceber o prazer de participar, de aprender, de interagir com os outros, os colegas passaram a demonstrar as insatisfações quando Peter agia inadequadamente e a cumprimentá-lo quando agia corretamente. Peter começou a progredir, a aprender a relacionar-se bem com os colegas. Dentre as rejeições, a maior barreira consiste na tendência de não se acreditar no potencial de desenvolvimento e aprendizagem do aluno com necessidades especiais.
O ingresso de Peter à escolarização teve ganhos inestimáveis para ambos, alunos sem necessidades e aluno com necessidade, pois a relação estrabelecida entre Peter e seus colegas começou a dar certo a partir do momento em que as trocas começaram a acontecer, quando uns começaram a prender com os outros. Desde o momento em que o grupo permitiu-se entender e aceitar as limitações de Peter deram-lhe o direito de seenvolver realmente como membro daquela classe, isto fez a diferença no processo inclusão de Peter na escola regular.
Estudo do caso: A história de Peter
Dados específicos:
Nome do aluno: Peter
Idade: 8 anos
Classe econômica: Média
Família: A família de Peter é carinhosa, atenciosa com o menino, não trata Peter diferente por ter limitações.
Relacionamento inicial: Peter teve bastante dificuldade, principalmente de relacionamento, era agressivo, arredio, impulsivo não tinha vinculo afetivo com os colegas, não participava das atividades.
Inclusão inicial: Peter foi aceito parcialmente no grupo no início, as crianças tinham medo dele, a professora passava o tempo todo preocupada com as atitudes do menino e pouco o envolvia no grupo.
Aprendizagem: A aprendizagem começou a acontecer a partir do momento em que todos deram oportunidades para que Peter pudesse usar seu potencial, a professora passou a acreditar na aprendizagem dele e assim ele passou a envolver-se acreditando que conseguiria aprender. Os colegas começaram a valorizar as atitudes positivas de Peter e as construções que ele fazia. Só assim aconteceu realmente a inclusão e como conseqüência a aprendizagem.
Concentração: No início ele não se concentrava, perturbava os colegas nas atividades e não participava das tarefas, mas aos poucos a partir do momento em que percebeu seu papel no grupo começa a se concentrar e a realizar suas atividades com mais atenção.
Autonomia e independência: Peter tinha ajuda principalmente das meninas, aos poucos foi conquistando segurança, autonomia e independência na realização de suas atividades e rotinas de sala de aula.
Acessibilidade: A escola era uma escola regular sem diferencial nenhum que a caracterizasse como escola inclusiva, a sala de Peter era uma sala normal como às outras.
Práticas pedagógicas inclusivas: No início as atividades de sala de aula utilizadas pela professora não tinha nenhuma especificidade, ele ficava na maioria das vezes de fora do grupo, com o tempo a professora percebe que Peter precisava ser estimulado e passou a apostar em seu potencial dando-lhe oportunidades de interagir a participar.
Encaminhamentos: Ouve uma reunião com os alunos da turma de Peter onde eles debateram sobre as atitudes do menino e sobre as suas também. Desta reunião concordaram em agir diferentemente com Peter tendo maior autonomia sobre as impulsividades dele, a partir daí eles iriam questionar as atitudes erradas e incentiva as atitudes certas.
Aprendizagens da turma: Os alunos relatam no final o quanto eles aprenderam com Peter, permitindo o entrosamento e a participação efetiva e afetiva dele junto ao grupo. No final do ano Peter está tão envolvido e interagindo de forma afetiva com os colegas que estes se tornam bons amigos. O aprendizado do grupo fica evidente na satisfação da turma quando Peter recebe no final do ano um certificado dado aos alunos que se destacaram.
Aproximação das idéias dos textos e filme: A inclusão realmente acontece quando estamos dispostos a entender as limitações sem mascará-las proporcionando uma participação efetiva acreditando no potencial dando subsídios para que esta inclusão aconteça sem discriminação e preconceito. As dúvidas e incertezas vão aparecer, mas se o envolvimento de todos for sincero e efetivo todos aprendem e crescem com a inclusão, tanto o portador de necessidades especiais quanto o não portador.
